Para que servem as emoções?

Você imagina um mundo sem emoções? Confira uma reflexão aprofundada sobre o assunto!

Por Ildo Meyer* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Isis Fonseca

Emoções

Imagine um mundo sem emoções. Todos os seres humanos funcionando como computadores. A comunicação entre as pessoas realizada apenas pelo conteúdo da linguagem, na sua mais plena literalidade, através de um processo de perguntas e respostas. Nenhuma alteração no tom de voz, na expressão facial, na postura.

Como um casal demonstraria afeto, amor, paixão, excitação, sem a capacidade de sentir e demonstrar emoções? Como as pessoas se relacionariam sem emoções? Tente imaginar um diálogo. Talvez você não seja capaz de imaginar, pela simples razão de estar acostumado, desde o nascimento, a viver em contato com outras pessoas e a vivenciar emoções em maior ou menor grau, ficando difícil, senão quase impossível, vislumbrar um mundo sem emoções.

Desde o processo de amamentação, onde a mãe afasta o filho do mamilo e este grita, chora, esperneia, faz caretas em sinal de protesto, passando pelos ganhos e perdas da infância e adolescência, relações sexuais com parceiros, transações comerciais, etc, vemos que o ser humano vive uma interdependência de necessidades com seus semelhantes.

Estas conexões acabam por despertar emoções, que nem sempre são agradáveis. Algumas pessoas possuem, ou acabam por criar mecanismos protetores contra emoções. No intuito depreservarem-se de sentimentos desagradáveis, minimizam as emoções. Passam a vida como navios ao mar, que passam ao largo uns dos outros.

Vale a pena viver sem emoções? Sem emoções, o ser humano seria indiferente aos outros, teria dificuldade em armazenar memórias e provavelmente teríamos um mundo onde as decisões seriam tomadas exclusivamente pela razão. Religiões e até mesmo alguns filósofos pregam que o homem deva se esforçar para ser mais cerebral, mais racional e menos carnal, tendo controle sobre suas emoções.

O fato de alguém possuir um corpo com emoções, muitas vezes é visto como uma fraqueza. De fato, tanto a inexistência como o descontrole emocional, podem ser deletérios, muitas vezes inviabilizando um convívio social.

O paradoxo está justamente no fato de que decisões éticas baseiam-se muito mais em emoções do que na razão propriamente dita. Quando estamos frente a uma situação onde a escolha é entre o certo e o errado, a racionalização é simples. Matar ou não matar? Estudar para a prova ou colar? Decisões facilmente previsíveis,
baseadas em códigos morais da sociedade que aprovam ou desaprovam determinadas condutas.

*Ildo Meyer é graduado em Filosofia Clínica pelo Instituto Packter – Porto Alegre. Palestrante, escritor, autor dos livros Marketing para Médicos, Parabéns a Você, Sala de Espera e Visita de Médico. Atua como professor convidado do curso de especialização em Filosofia Clínica da UNESC – Universidade do Extremo Sul Catarinense e do Instituto Packter.

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