As ideias de Platão

Uma desconstrução ao longo da história da filosofia e do conhecimento

Platão

A teoria das ideias, segundo PADOVANI & CASTAGNOLA (1990) representa a culminância do sistema metafísico de Platão. A ideia como “essência existente em si” (PLATÃO, 1996, p. 17), à parte do intelecto, constitui o grande achado do filósofo na busca de um princípio que explicasse a origem e constituição do Universo.

As Ideias como causa dos seres e coisas do mundo sensível rompem com a temática naturalista, iniciada com Tales de Mileto (REALE & ALATISERI, 1990), uma vez que o arque estabelecido por Platão se distingue qualitativamente da natureza física, material. A concepção do inteligível resultou de uma aventura solitária de seu idealizador, denominada por ele de “segunda navegação” (REALE & ANTISERI, 1990, P. 134).

Malgrado a influência milenar de Platão na cultura ocidental (cujo estudo se faz obrigatório, depois de vinte e quatro séculos), sua hipótese das Ideias já foi desconstruído por diferentes “interlocutores” do “diálogo” constituído pelos próprios leitores e estudiosos do filósofo. Entre os pensadores que se destacaram nessa desconstrução, em épocas e filosofias diferentes, quatro deles são suficientes para submeter o mundo das Ideias a uma dialética atemporal: Aristóteles, David Hume, Friedrich Nietzsche e Rudolf Carnap.

À exceção de Aristóteles, que fundamenta sua metafísica no logos, diferentemente do “componente místico-religioso-escatológico” do mestre (REALE & ALTISERI, 1990), os outros três são antimetafísicos. Para Marcondes (2007), Hume começa sua empreitada filosófica com a tese de que nossas ideias têm origem em nossas experiências sensíveis. Nietzsche empreende sua crítica à metafísica pela “distinção que ela estabelece entre mundo sensível e inteligível” (ITAPARICA, 2014, p. 105-119), notadamente de origem platônica. O “diálogo” iniciado por Platão sobre o mundo das Ideias chega ao final com Carnap (1993), a quem basta a lógica e a teoria do conhecimento para pôr um fim definitivo à metafísica.

Outros interlocutores poderiam participar dessa desconstrução, entre os quais Lucrécio, Emmanuel Kant, Augusto Comte, Karl Marx, Bertrand Russel, entre outros. Tal inclusão ampliaria desnecessariamente o debate, com o risco de comprometer sua objetividade.

Platão, o jovem discípulo de Sócrates, logo se distingue do mestre ao estender suas especulações filosóficas à metafísica. As viagens que ele empreendeu na juventude foram decisivas para a formulação da teoria das Ideias. Na Itália, segundo PADOVANI & CASTAGNOLA (1990, p. 114), Platão estabeleceu relações com os pitagóricos. Não menos importante, no espaço-tempo de sua “primeira navegação”, foi a influência que teve do orfismo (REALE & ANTISERI, 1990, p. 147).

Em diversos diálogos, como em A República (1997), o filósofo explicita seu mundo inteligível e suas diferenças do mundo sensível. “As ideias são entes divinos” (REALE & ALTISERI, 1990, p. 145), independentes, absolutos. Elas servem de modelo a um deus pessoal para a estruturação das formas do mundo sensível, este colocado na dimensão temporal. A alma transitaria entre os dois mundos, sujeita aos arroubos do corpo e capaz de alcançar o inteligível – quando corpo e alma se permitissem buscar a verdade por intermédio do conhecimento dialético.

Confira a análise completa em Revista Filosofia Ciência & Vida Ed. 131

Por Froilam José de Oliveira | Foto Shutterstock | Adaptação web Isis Fonseca

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