Filosofia clínica em empresas

A filosofia clínica pode ser a ferramenta que faltava em uma empresa?

Filosofia clínicaA principal premissa da filosofia clínica é a singularidade de cada ser humano, sua forma de agir e de pensar, pois cada pessoa tem sua própria Estrutura de Pensamento (EP) e funciona conforme esta construção. Nesse contexto, não existe certo ou errado, pois o que é sensato para um pode não ser para outro e vice-versa, já que cada um tem seu próprio jeito de ser.

O mesmo acontece nas empresas. Cada uma tem a sua Estrutura de Pensamento, uma vez que uma organização é composta de pessoas – e, lembremos, pessoas costumam pensar. Para conhecer a Estrutura de Pensamento de uma organização, é necessário analisar a EP de cada um dos componentes em seu papel existencial. O conjunto dessas análises, somadas à sua história, resultará na persona da organização – a chamada “alma da empresa”.

Definir a Estrutura de Pensamento (EP), identificar os tópicos relevantes, importantes e determinantes, juntamente com a definição dos Submodos, auxilia na construção da visão de futuro da organização, no processo de elaboração do seu planejamento estratégico – e, também, na sua avaliação durante a execução.

Conhecer a EP de uma organização, ou seja, a maneira como ela funciona, ajuda a encontrar o caminho a ser seguido. Devemos levar em conta que cada líder tem uma visão de mundo, a sua visão de mundo, diferente da representação das pessoas de sua equipe. Há, ainda, a representação de cada acionista, do presidente, de cada diretor e, assim, de cada membro do grupo. A metodologia da filosofia clínica, aplicada à elaboração do planejamento estratégico, permite congregar a vontade do grupo e construir a busca compartilhada do futuro da organização.

Mas, primeiramente, o que é uma organização? Antes de entrar no tema da filosofia clínica é preciso entender melhor sobre teorias fundamentais de uma empresa.

Dias (2003, p. 26) se refere à organização “como sendo um ente social criado internacionalmente para se conseguirem determinados objetivos mediante trabalho
humano e uso de recursos materiais”.

Enquanto Chiavenato (2003, p. 291) entende que “as organizações constituem a forma dominante de instituições da moderna sociedade: são a manifestação de uma sociedade altamente especializada e interdependente que se caracteriza por um crescente padrão de vida”. Ou seja, a organização cumpre o papel de agrupar as pessoas em torno de um objetivo comum e organizá-las para atingir determinados resultados.

Nesse aspecto, o planejamento é fundamental para a humanidade. Segundo Silva (2001), o ser humano deve traçar metas para o seu bem-estar, para preparar-
se para eventualidades e ameaças e com vistas a obter sucesso quando surgirem novas oportunidades. A partir do momento em que é definido um objetivo, é necessário traçar um plano para alcançá-lo.

O mesmo ocorre nas organizações, constituídas por diversas pessoas e cada uma delas com sua visão de mundo – sem planejamento, não seria possível saber a direção a ser seguida para alcançar as metas e os objetivos. Hoji (1999, p. 324) também discorre sobre o tema. Para ele, “o planejamento consiste em estabelecer com antecedência as ações a serem executadas dentro de cenários preestabelecidos, estimando os recursos a serem utilizados e atribuindo as responsabilidades, para atingir os objetivos fixados”.

Ele acrescenta que o planejamento estratégico tem que ser de longo prazo, tendo como responsáveis os funcionários de níveis mais altos da organização e que buscam se antecipar a fatores externos e internos para realizá-lo. Essa maneira de pensar uma organização surgiu a partir da década de 1990, quando os  administradores passaram a se envolver no processo de planejamento.

Conforme Silva (2001), a evolução do planejamento estratégico é resultado da velocidade das mudanças que acontecem no dia a dia do ambiente no qual a organização está inserida. A cada instante a organização precisa ser mais ágil e estar preparada para atravessar as crises, adaptar-se à evolução da tecnologia e saber como atingir o objetivo proposto.

Adaptado de Revista Filosofia Ciência & Vida Ed. 131

Por Beto Colombo | Foto Shutterstock | Adaptação web Isis Fonseca

<

filosofia-clinica

<