Dimensões IV: o livro e a perspectiva de Eduardo Portella

Filosofia, literatura e estética

Por Redação | Adaptação web Renê Saba

Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 01/08/1980. O ministro da Educação, Eduardo Mattos Portella, durante evento realizado na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro. Crédito:PLÍNIO SANTOS/ESTADÃO

Eduardo Portella, muito conhecido por ter sido Ministro da Educação, possui um conjunto de obras extenso. Singular. Contempla ensaios, textos jornalísticos e um legado poético que não pode ser soterrado. Levado, bruscamente, pelas águas de nossos tempos tão líquidos, como afirmaria Bauman. Um homem que lutou, acima de tudo, pela justiça, pela paz, por um Brasil, em toda sua diversidade, menos desigual. Uma intuição (aquela seria proposta por nosso grande filósofo Bergson) sem precedentes. Enxergava (e isso é para poucos) pessoas, professores, escritores, poetas que realmente tinham valor e que um dia poderiam colaborar e firmar o mundo sonhado por ele. Foi, inclusive, um grande professor e membro da Academia Brasileira de Letras. Responsável, diretamente, por dezenas de obras importantes publicadas neste país.

Por que filosofar?

Dimensões IV: o livro e a perspectiva, Editora Tempo Brasileiro, é uma obra que reflete, em grande parte, o talento inegável, em várias dimensões, de Eduardo Portella. O livro é de ensaios. Um gênero em completa extinção no Brasil e, por que não dizer, no mundo. Um ensaísta, acima de todas as dificuldades, precisa ter a rara disposição da interlocução. No entanto, isso é para poucos. Mesmo se considerarmos argumentos lugares-comuns de que não há tempo para ler, para se refletir e outras desculpas esfarrapadas. Porque o ensaio exige a disposição intelectual e, sobretudo, humana de ouvir o outro. De ler o outro. Em vários níveis. Estamos, portanto, diante de um livro o qual o autor leu e tentou compreender outros seres humanos. Outros homens das letras. Em suas palavras: “À medida que o tempo vai passando, aumenta, sempre mais, a estranha sensação de perda.

Merlí e a Filosofia

Talvez nem pudéssemos supor que o comedimento, a discrição, a timidez, até, guardassem, como um tesouro escondido, esse inesperado poder de mobilização. O vazio que se instaura é quase desproporcional à presença que se esquiva. A voz silenciada não consegue emudecer a lição que se amplia. O saber construído sob os auspícios da erudição rigorosa jamais se afastou, nesse caso específico, das fontes vitais da cultura. Por estas e outras razões, Celso Cunha continua e continuará presente”. Acrescentamos que “por estas e outras razões” Eduardo Portella continuará, de alguma maneira, presente na memória nacional. Tão carente dos valores essenciais. Tão carente de pessoas corajosas e que enfrentem os terríveis desafios que nos aguardam não somente para um futuro próximo, como para um futuro mais distante.

Para ler esse texto na íntegra, compre a revista Filosofia – Ed. 138

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