Bazar: o primeiro mercado do mundo

Conheça mais sobre a exposição de Silvio Piesco no Museu de Imagem e Som de SP

Por Walter Cezar Addeo* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Isis Fonseca

Bazar, o primeiro mercado do mundo

O MIS – Museu da Imagem e do Som de São Paulo, dentro do seu programa Nova Fotografia, nos trouxe uma exposição de fotos de SILVIO PIESCO sobre um tema muito antigo – os Bazares. Esta série de fotos de Silvio Piesco interessa por vários motivos.

Em primeiro lugar pela eleição do tema e dos lugares que fotografou. Ele viajou pela África, passando pela Etiópia e sua capital Adis Abeba, mas não se limitou às grandes cidades. Visitou vilarejos e tribos ao longo do Vale do rio Omo. Depois foi para a Ásia onde registrou bazares em Mianmar, Tailândia, China e Tibete.

A exposição traz uma pequena seleção das imagens feitas durante esses anos de viagens. Com elas encontramos um antropólogo urbano itinerante interessado
numa das atividades mais antigas da humanidade, os mercados e feiras tradicionais. Temos então um trabalho de etnologia registrado em fotos e não simplesmente relatado em textos como na tradição clássica.

A força e o colorido dessas fotografias, seus enquadramentos e ângulos escolhidos, além do interesse formal que suscitam, nos obrigam de imediato a considerar o assunto escolhido por Silvio Piesco.

Um tema denso de significados que culturalmente se confunde com a própria evolução social do homem neste planeta. Os bazares, na sua interessante balbúrdia
e local de aglomeração de pessoas diversas, na verdade, são estruturas bastante complexas e foi de onde veio, inclusive, a expressão “economia de mercado”. Uma economia livre e popular baseada em vendas e trocas nasceu com eles.

Bazares são eternos e não desaparecem nunca. Mesmo numa economia de mercado globalizada e tecnologicamente sofisticada como a de hoje, eles persistem. Sempre haverá, dentro das cidades, alguém estendendo um tapete no chão ou uma pequena banca e colocando em cima objetos para venda. Artesãos, inclusive, sempre mostraram seus trabalhos desta maneira.

Chamamos de economia informal, de ambulantes, etc., mas eles reproduzem a forma inaugural de como o mercado se estruturou desde os tempos mais remotos da antiguidade. E isso não foi um ato tão inocente assim. Bazares, feiras e mercados informais são também locais ótimos para circular informação.

Se pensarmos que o surgimento das cidades foi uma oportunidade para que um grande número de famílias de origens diversas pudesse morar pacificamente no mesmo espaço, este local coletivo que chamamos de cidade precisou encontrar um modo de fazer circular informação, uma vez que seus habitantes não pertenciam mais ao mesmo clã familiar. O mercado, o bazar supriu essa necessidade.

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* Walter Cezar Addeo é mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) e membro da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), escritor e roteirista.

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