Alteridade e a natureza infinita

Por Rodrigo Petronio* | Adaptação web Tayla Carolina

Embora a alteridade seja um conceito central para todas as chamadas filosofias da consciência, é importante criarmos outras abordagens e explorarmos as virtualidades ainda pouco exploradas desse conceito. Para tanto, seria interessante pensar a alteridade de um ponto de vista da ontologia e da cosmologia.

Mais do que sob seu aspecto mais conhecido, relativo a interações e constituições do plano das consciências e explorado pela doutrina medieval da intencionalidade, por Descartes, por Hegel, por Husserl, por Sartre e que hoje em dia encontra seus representantes na filosofia da mente e em setores da teoria cognitiva.

A alteridade precisa dessa redescrição para nos livrarmos de alguns empecilhos produzidos pela rotina do pensamento e pela burocracia institucional no que diz respeito a esse conceito. A alteridade não é o confronto entre faces humanas. Ela antecede a constituição do humano.

Tampouco é a epifania do rosto, como querem Levinas e outras criptoteologias abraâmicas contemporâneas. Não é uma face antropomorfa da diferença ontológica fundadora, como a definiram Heidegger e Derrida. Tampouco é a fissura e a fratura que permeiam as obras de um amplo espectro de pensadores, de Freud a Girard e de Lacan a Deleuze e Guattari.

A alteridade é a percepção da outridade dos entes em relação a uma identidade que os constitui como os entes que são.

Em outras palavras, a alteridade é o princípio que rege a iferenciação dos seres entre si, em uma espiral infinita, um círculo sem circunferência que exorbita a consciência humana e transcende o oceano do universo, irradiando-se em pluriversos, transmundos e metacosmos em forma de elipses cujos centros todos são virtuais e atuais, nunca potenciais.

 

*Rodrigo Petronio nasceu em 1975, em São Paulo. Escritor e filósofo, atua na fronteira entre literatura, semiologia, narratividade e Filosofia. Professor titular da FAAP. Desenvolve pós-doutorado no Centro de Tecnologias da Inteligência e Design Digital [TIDD|PUC-SP] sobre a obra de Alfred North Whitehead e as ontologias e cosmologias contemporâneas. Autor, organizador e editor de diversas obras. Publicou mais de duas centenas de artigos, resenhas e ensaios em alguns dos principais veículos da imprensa brasileira. Recebeu prêmios nacionais e internacionais nas categorias poesia, prosa de ficção e ensaio.

 

Para ler esse texto na íntegra, compre a revista Filosofia – Ed. 138

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