Além dos horizontes de Coimbra

Professora portuguesa avalia se o conhecimento filosófico pode possibilitar a reorientação do próprio significado da existência

Por Fábio Antonio Gabriel | Foto: Divulgação | Adaptação web Isis Fonseca

Fernanda Bernardo

Fernanda Bernardo é professora de Filosofia Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra — de longa data filosoficamente posicionada na Desconstrução e trabalhando na intersecção da filosofia com a literatura, a poética, as artes do visível, a ética e a política. Para além de tradutora de Jacques Derrida, de Emmanuel Lévinas, de Maurice Blanchot e de Jean-Luc Nancy, é também autora de vários escritos, em revistas e obras coletivas nacionais e internacionais.

Membro do Comité Científico de Filosofia do SSHRC – CRSH (Canadá/2012), Fernanda Bernardo foi também a representante de Coimbra-Cidade refúgio (2003-2006) no Réseau International des Villes Refuge afecto ao Parlement International des Écrivains (Strasbourg). Nesta edição, conversa conosco sobre o contexto da Filosofia Contemporânea no cenário internacional, com ênfase no pensamento de Jacques Derrida, de Emmanuel Lévinas, entre outros.

Você poderia nos falar sobre sua trajetória filosófica, ou seja, como foi sua formação filosófica, quais seus principais objetos de pesquisa na filosofia? Como tem sido sua atuação e produção filosófica na Universidade de Coimbra?

Possuo licenciatura, mestrado e doutoramento em Filosofia pela própria Universidade de Coimbra, sou filosoficamente posicionada na Desconstrução, que me ensinou a repensar a Filosofia e a pensar a transversalidade dos discursos e dos saberes, privilegiando o eu, nesta transversalidade, a da Filosofia com a Literatura, a poética, a psicanálise e as artes em geral.

Coordeno, desde 2000, um Projeto de Investigação intitulado Jacques Derrida – Língua & Soberania e dinamizo um Atelier de Leitura & Tradução nesta mesma área do filosófico – do meu trabalho faz parte integrante a tradução para língua portuguesa destes autores da nossa mais extrema contemporaneidade, tendo eu traduzido uma vintena de títulos de Jacques Derrida. No âmbito dos meus escritos mais recentes contam-se: Lévinas Refém. A assinatura ético-metafísica dos Cadernos do Cativeiro (Palimage ed.); com G. Bensussan, Les équivoques de l’éthique / Os equívocos da ética (ed. Bilingue da Fundação António de Almeida ed.); Derrida e o cinema (RFC); Perdão por não querer dizer.

O segredo da Literatura de Abraão a Derrida (Convergência Lusíada n. 34, Julho – Dezembro de 2015); O segredo da fé. O fiel ateísmo de Derrida (RFC); De la Destruktion à la Déconstruction – De la mort et de la peine de mort (Les Cahiers philosophiques de Strasbourg); com Jean-Luc Nancy, Une pensée pour un nouvel avenir à inventer. À l’écoute de Jean-Luc Nancy (Biblos).

Na sua opinião, Brasil e Portugal poderiam estabelecer mais parcerias em âmbito filosófico, aproveitando a similaridade da língua?

Há já muito tempo – desde 2004, pelo menos – que tento criar uma Sociedade ou Associação de estudos luso-brasileiros na área da Desconstrução (ou das Desconstruções), mas, infelizmente, não tenho conseguido. Deixo aqui a ideia e o desafio à nova geração de leitores/leitoras…

Creio ter consciência dos eventuais riscos de uma tal associação – não se trataria, no entanto, de forjar a criação de nenhum “ismo” nem de nenhuma tribo, mas de contribuir, numa certa companhia e no liame de uma certa vulnerabilidade, para dar existência e “sobrevivência” a este idioma de pensamento: tratar-se-ia de criar uma “comunidade de singularidades” que abrangeria todas as áreas do saber, da Literatura ao Direito, passando pelas Artes, pela Religião e pela Filosofia, singularmente desligada pela sua paixão comum por este idioma de pensamento.

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